A MAÇONARIA ECLÉTICA

OU RITO ECLÉTICO

A MAÇONARIA ECLÉTICA

A franco-maçonaria como Corporação Eclética Evolutiva é uma instituição universalista que abriga as mais variadas matrizes formadas a partir de influências de inúmeras nações sem marco temporal definido. É constituída por Homens de Espiritualismo Eclético, no mais alto grau da liberdade e da inteligência, que trabalha incansavelmente em prol da Pátria, da Ordem e da Humanidade. O Sistema Eclética está contido na concepção filosófica da franco-maçonaria para os livres pensadores, espíritos criativos, defensores do exercício pacífico da liberdade e formadores de opiniões. A Sociedade Eclética dos francos-maçons usa-se de inúmeros símbolos e artifícios oriundos de diversas manifestações das civilizações, incorporando, em sua estrutura, crenças e culturas de todos os tempos e povos.  Podemos assim afirmar que a franco-maçonaria é uma Instituição Eclética no sentido da união fraternal e da fé, pois une todos os Homens que a ela se afiliam como Fraternos Irmãos, sem preocupações de etnias, crenças religiosas, nacionalidades e opiniões político-partidárias, defendendo a Liberdade de Consciência e prezando sempre pelo direito e dever de cada cidadão. A Maçonaria Eclética é um verdadeiro abrigo para Homens Virtuosos, livres de dogmas e sustentados pelos pilares: "Liberdade, Igualdade e Fraternidade". ​

A secular Maçonaria Eclética ou Rito Eclética nada mais é que um conjunto de tradições, costumes e regras sociais, uma síntese orientadora, uma escola de perfeição, um magistério de sabedoria, um verdadeiro professorado para os Sábios e Filósofos, Livres e Virtuosos: "Um Triângulo Perfeito".

A HISTÓRIA DO RITO ECLÉTICO

NA ALEMANHA

O RITO ECLÉTICO

O Sistema da Maçonaria Eclética ou Rito Eclético foi compilado nas bases do Rito Inglês Primitivo (Antigo Rito Inglês), pelo Barão von Ditfurth, à principio, com 5 graus, em Frankfurt, não prosperando como esperado num primeiro momento. Assim, o Barão de Ditfurth resolveu reformar e reestruturar o rito em parceria com Johann Karl Brönner, (Johann Ludwig Karl Brönner: 01 de julho de 1738, Frankfurt, Alemanha - 22 de março de 1812, Frankfurt, Alemanha), convidando o Barão von Knigge para realizar a reforma (1783).

O BARÃO DE DITFURTH E A ORIGEM DA MAÇONARIA ECLÉTICA

Barão de Ditfurth (Franz Dietrich Von Ditfurth: 01 de maio de 1738, em Dankersen, Minden, Alemanha - 30 de março de 1813, Wetzlar, Alemanha) foi um advogado, escritor, filósofo e maçom progressista. Filho de Friedrich Ludwig von Ditfurth III e Lucie Katharina Auguste von Ditfurth. Logrou-se em ciências sociais e jurídicas, instalando um escritório de advocacia em 1762, Wolfenbüttel, sendo nomeado assessor na Câmara de Comércio do Reich em Wetzlar em 1773. Também trilhou uma brilhante carreira jurídica e administrativa como assessor na Chancelaria de Wolfenbüttel.  Ele foi iniciado na arte real, possivelmente, no Rito da Estrita Observância, introduzido em 1761 na Alemanha, por Barão Karl Gotthelf von Hund. Este rito era baseado na suposição de que os antigos Cavaleiros Templários não foram destruídos, mas continuaram a existir secretamente na Escócia e, adjuntos às guildas de maçons, fundaram a franco-maçonaria. Com o falecimento em 1776 do Barão von Hund, ele se desliga da Estrita Observância e passa a se dedicar à compilação de um novo rito para os maçons alemães, denominado de Rito Eclético (1776), tendo como base o Antigo Rito Inglês. 

Instalou a Liga Eclética (União Eclética Alemã), em Frankfurt  em 1783, em parceria com seu amigo Johann Karl Brönner, atraindo assim, 27 lojas e 3.500 maçons para a formação da Liga. Após a reforma realizada por Knigge, ele foi eleito Grão-Mestre Provincial da Grande Loja Provincial de Wetzer. 

O Rito Eclético ou Maçonaria Eclética, nasceu, portanto, no seio da franco-maçonaria Alemã, Frankfurt em Main, com a finalidade de resgatar a essência e a pureza da antiga ordem dos francos-maçons.

A REFORMA DO RITO ECLÉTICO

O Barão von Knigge, (Adolph Franz Friedrich Ludwig Knigge: 16 de outubro de 1752, Wennigsen, Alemanha - 6 de maio de 1796, Brémen, Alemanha), logo após o Congresso em Wilhelmsbad, por convite de Ditfurth, reformou o “Rito Eclético” em conformidade com as normas e diretrizes da maçonaria inglesa primitiva, transformando-a em um verdadeiro professorado filosófico. Separou os graus simbólicos dos graus filosóficos, excluindo dos rituais as especulações do hermetismo, templarismo e ideias cavalheirescas e cabalísticas presentes nos traçados originais que não se relacionavam com a ordem dos pedreiros. Isso trouxe de volta a pureza primitiva e genuína da franco-maçonaria especulativa, restando somente a essência maçônica estabelecida conforme os antigos Landmarks e a Constituições de Anderson de 1723. 

 

Os graus simbólicos, para Knigge, Ditfurth e Brönner, representavam a mais pura maçonaria, um sistema de ensino que transformava homens comum em verdadeiros professores e filósofos, sendo o alicerce de toda estrutura eclética ou ainda: “A Evolução Racional da Espécie Humana”.

Há uma confusão quando da criação do Rito Eclético (Ditfurth: 1776-1779), muitos autores atribuem a Knigge (1783).  Vale esclarecer que o rito foi criado por Ditfurth  (1776-1779) e não por Knigge. Este reformou o rito para atender a formação da Liga Eclética (1783) a convite de Ditfurth e Brönner

A MAÇONARIA ECLÉTICA E AS GRANDES LOJAS

DE FRANKFORT E WETZLAR

A Maçonaria Eclética se estabeleceu na Alemanha, no seio das Grandes Lojas de Frankfurt e Wetzlar, de forma  a organizar Grandes Lojas Provinciais.

As Grandes Lojas Provinciais de Frankfurt e de Wetzlar, nos dias 18 e 21 de março de 1783, encaminharam Pranchas Circulares Ecléticas a todas as lojas alemãs com os quinze pontos que regulamentava a Maçonaria Eclética. Nesta prancha ficaram definidos os direitos e deveres das lojas e de cada Obreiro. Na Carta Federal Eclética ficou definido em seu art. 2º que as lojas seriam livres e independentes para adotar e praticar os altos graus da maçonaria regular sem interferência da potência simbólica.

A constituição da Corporação Eclética ou Liga Eclética dava plena independência para suas lojas trilharem a estrada da filosofia separadamente em relação à base simbólica. Assim, o Sistema Eclético, ou simplesmente, “Rito Eclético”, permaneceu com seus graus reformados e adaptados à franco-maçonaria especulativa regular.

Quando o Maçom Eclético alcançava o terceiro grau (mestre maçom), era incentivado a continuar a estudar e se aprofundar nos graus superiores (filosofismo), sendo livre para trilhar seu próprio caminho na mistérios da Arte Real.

Em 1783, Johann Karl Brönner foi eleito como primeiro Grão-Mestre Provincial da Grande Loja Provincial de Frankfurt, sendo  Ditfurth, eleito Grão-Mestre Provincial da Grande Loja Provincial de Wetzer.  

A EXPANSÃO DA MAÇONARIA ECLÉTICA

O Rito Eclético se expandiu além das fronteiras de Frankfurt e Wetzlar, sendo instaladas lojas ecléticas em Hamburgo e Wilhelmsbad.  ​A partir de 29 de junho de 1801, a Grande Loja de Hamburgo passou a adotar um novo rito compilado a partir das bases de rituais ecléticos por Ludwig Schröder, denominado como Rito de Schröder, ou seja, uma compilação simplificada dos rituais ecléticos de Ditfurth.

Em 1819, os irmãos Benou, Borie, Caille, Delaroché, Geneux, Pagès e Vassal, dotados de espirito eclético, instalaram em Paris a Loge des Rigides Observateurs nas mesmas bases da compilação de Ditfurth (1776). Em 1844 houve uma tentativa de fundação de uma Grande Loja Eclética em Paris pelo Irmão Juge, mas, sem sucesso.

​Além dos países citados, o Sistema da Maçonaria Eclética foi bem sucedido também na Polônia, Nápoles, Dinamarca, Itália, Suíça e Espanha (e suas colônias) e nas Américas.  Na Itália e suas colônias,  o rito era praticado por lojas subordinadas ao Grande Oriente D´Itália - GOI. 

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Em Portugal foi compilado um rito, denominado de Rito Eclético Lusitano, ou simplesmente, Rito Lusitano, com sete graus. Entretanto, essa compilação elaborada por Dr. Miguel António Dias (1805-1878) nada tinha haver com o rito alemão, sua estrutura foi compilada a partir do Rito Francês ou Moderno.

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O Rito Eclético ou Maçonaria Eclética deu origem ao Sistema Retificado, conhecido como Rito da Ordem dos Cavaleiros Benfeitor da Cidade Santa, fundado na França em 1874. Deu origem também, ao Rito Moderno, e como já citado, ao Rito de Schroeder, além de influenciar outros sistemas maçônicos alemães e franceses dos séculos XVIII e XIX.

O Rito Eclético ainda está em funcionamento na Alemanha, sendo praticado por lojas filiadas a Grande Loja dos Antigos Maçons Livres e Aceitos da Alemanha (Großloge der Alten Freien und Angenommenen Maurer von Deutschland - GLAFuAMvD), confederada as Grandes Lojas Unidas da Alemanha (Vereinigte Großlogen von Deutschland - VGLvD).

A Grande Loja de Frankfurt da União Eclética (Liga Eclética) tinha tratado de reconhecimento e amizade e correspondência com várias potências maçônicas regulares no mundo, entre ela, o "Grande Oriente Unido do Brasil" e "Grande Oriente do Brasil do vale do Lavradio" (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brasil, Ano 1873, Edição 00001, pg 63; Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, Ano 1878, Edição 00035, pg 518; Boletim do Grande Oriente do Brasil: Jornal Official da Maçonaria Brasileira, Publicação Mensal, Ano 1881, Edição 00002; Almanak Laemmert, Ano 1892, Edição B00049, pg 378).

A FUNDAÇÃO DO PRIMEIRO GRANDE CAPÍTULO DA MAÇONARIA ECLÉTICA

Os Maçons Ecléticos percebendo que eram vistos com certo desprezo pelas potências maçônicas, instituíram Capítulos e Areópagos para poderem ter relações com as potências e lojas estrangeiras.

Em 24 de março de 1784, sabendo da necessidade de explorar os graus filosóficos, Ditfurth faz uma proposta para Grande Loja da Liga Eclética de Frankfurt de reincluir o quarto grau de obrigação do Rito, (este quarto grau teria sido excluído por ele de seus rituais em 1778), não sendo aprovado pela Grande Assembleia em Frankfurt.

Um grupo de maçons resolveu organizar um compêndio para graus filosóficos, sendo escolhidos a partir dos sistemas maçônicos existentes daquela época, graus genuínos que mantinham os princípios da maçonaria especulativa aplicada ao crescimento e à evolução do Homem, com ênfase aos graus de Cavaleiro Rosa-Cruz e Cavaleiro Kadosh (Ditfurth: 1776). Montaram uma Biblioteca de todos os ritos e seus graus praticados no mundo. Os Filósofos Ecléticos dedicavam-se ao estudo constante da ciência e da filosofia.

Os maçons ecléticos passaram a adotar em seu sistema filosófico (Grande Capitulo da Liga Eclética) a partir da reforma de 1812, o Sagrado Arco Real (Liga Eclética:1811-1812), ou seja, um terceiro grau filosófico.

A CORPORAÇÃO DA MAÇONARIA ECLÉTICA OU RITO AZUL NO URUGUAI, ARGENTINA E  BRASIL

O RITO ECLÉTICO NO URUGUAI

O Sistema da  Maçonaria Eclética ou Rito Azul foi introduzido no Uruguai por Dr. Justino Jimenez de Aréchaga Moratório a partir da cisão que ocorreu no Grande Oriente do Uruguai (atual Grande Loja da Maçonaria do Uruguai) em 1882. Ele reuniu diversos maçons cientistas, filósofos e poetas liberais para estabelecer a maçonaria liberal republicana na Cisplatina e no Rio da Prata.

Partindo dessa premissa, um grupo de estudiosos sob o comando e a direção do Grande Presidente do Conselho dos Ritos, o Irmão Lino Abelino Garcia Arroyo, com espíritos críticos e renovadores desenvolveram um novo sistema maçônico a ser seguido pelas lojas do Grande Oriente da Republica Oriental do Uruguai (Gran Oriente de la Republica Oriental del Uruguay - GOROU), a partir do signo do ecletismo alemão. Este grupo analisou todos os pontos da maçonaria regular, extraindo dela a essência tradicional da maçonaria regular e moderna, reduzindo seus inúmeros graus em um único compêndio maçônico.

Para atender o novo sistema maçônico compilado, Dr. Jiménez separou da estrutura do Grande Oriente da Republica Oriental do Uruguai - GOROU (Gran Oriente de la Republica Oriental del Uruguay - GOROU) os graus simbólicos dos graus filosóficos, alterou os arts. 83, 84, 85 do Código Maçônico promulgado e aprovado em 04 de maio de 1882, visando seguir a determinação do Congresso de Lausanne de 1875 (uma Grande Loja ou um Grande Oriente administraria os graus simbólicos enquanto os graus filosóficos seriam administrados por um alto corpo, o Supremo ou Conselho).

Logo após a reestruturação do Grande Oriente, Dr. Jimenez, com o apoio do Grande Oriente Brasileiro, constituiu um alto corpo para atender a maçonaria filosófica uruguaia: o Grande Capitulo da Maçonaria Eclética (Gran Capítulo de la Masoneria Ecléctica) com 11 graus. Esse alto corpo foi instalado e consagrado em 1883 pelo Mui Poderoso Supremo Conselho para o Rito Escocês Antigo e Aceito do Grande Oriente Brasileiro. Seu primeiro presidente foi o Irmão Rufino Pedro Ravìa Gonzalez, sucedido pelo Irmão Lino Abelino Garcia Arroyo. 

Além das lojas sob obediência do GOROU, também existiam outras que praticavam o Rito Eclético no Uruguai, mas eram subordinadas a potências estrangeiras, a exemplo, as Logias "Justicia" (oriente de Cardona) e "Restauración" (fundada em 19 de maio de 1856, no oriente de Cerro Largo - 2º fase: reerguida no Rito Eclético).

Adolfo Vásquez Gómez, residindo no Uruguai, fundou e instalou em 18 de dezembro de 1894, no oriente de Montevidéu, a Respeitável Loja "Emancipacíon" no Rito Eclético, com a participação de vários maçons liberais republicanos. Esta loja era subordinada à Grande Loja Simbólica Espanhola que trabalhava com quatro graus, ou seja, Aprendiz Registrado, Companheiro de Oficio, Mestre Maçom e Past-Master Eclético (equivalente ao Grau 33 do REAA).

O RITO ECLÉTICO NA ARGENTINA

O Rito Eclético foi instalado oficialmente na Argentina em 1866, com a fundação da Loja "Itália" em Bueno Aires, sob os auspícios do Grande Oriente D´Italia - GOI. Essa Loja foi regularizada em 1867 conforme noticiado na Revista della Massoneria Italiana (1880-1881) e no Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil: Jornal Official da Maçonaria Brazileira, Ano 1874, Ed. 00001-00003, Pg. 81. No mesmo ano, as Lojas "Itália", "Obbdienza alla Lege II" e a "Unione Italiana" se fundiram, passando a ter cerca de 600 francos-maçons ecléticos. Em 1884, houve uma cisão, a Loja "Itália" se separou da Loja "Unione Italiana", passando a ter 115 membros em seu quadro. Ainda em 1876, foi fundada em Buenos Aires, a segunda loja da maçonaria eclética, denominada  de Loja "Unione Italiana II".

Em Bueno Aires foi fundada  em 1877, a Loja "Garibaldi" sob os auspícios do Gran Oriente da Republica Argentina, sendo a terceira loja do Rito Eclético que se tem noticia da época. Esta Loja foi regularizada em 17 de abril de 1877, tendo como Venerável Mestre, o Irmão Carlos Urien, (Boletim do Grande Oriente Unido e Supremo Conselho do Brazil: Jornal Official da Maçonaria Brazileira, Ano 1876, Ed. 00005-00008, Pg. 659).

De acordo com os boletins do Grande Oriente Ibérico e do Grande Oriente Espanhol, arquivados na biblioteca da Espanha, em 1877, foi fundada em Buenos Aires, a Loja "Alemana Deustchland", ou seja, a quarta loja do Rito Eclético, possivelmente, subordinada à Liga das Grandes Lojas da Alemanha (Frankfurt).

A FUNDAÇÃO DA GRANDE LOJA PROVINCIAL BONAERENSE NA ARGENTINA

Os representantes das lojas maçônicas Bragado, San Antônio de Areco, 9 de Julio, Zárate, Las Flores, San Andrés de Giles, Azul, Olavarría, Lavalle, Luz y Verdad, La Plata e Stretta Uguaglianza formaram em 01 de novembro de 1890, uma Confederação de Lojas (Liga Maçônica Argentina) com o intuito de fundar uma Grande Loja Provincial no Rito Eclético. Em  01 de dezembro de 1891, sob o comando e direção do Dr. Enrique Martín de Santa Olalla, foi fundada e instalada a Grande Loja Provincial Bonaerense, tendo como seu primeiro Grão-Mestre, o Dr. Dámaso E. Uribúru.

A Grande Loja Bonaerense trabalhava, exclusivamente no Rito Eclético, conhecido também como Rito Eclético Cientifico (com suas particularidades próprias), compilado por Dr. Enrique de Santa Olalla, a partir dos antigos rituais de Barão von Ditfurth com quatro graus (Aprendiz, Companheiro, Mestre e Past-Master Eclético). Essa potência foi reconhecida pelo Grande Oriente Espanhol e pela Grande Loja Simbólica Espanhola além de outras potências regulares.

Foi fundado em 10 de novembro de 1894, o Supremo Conselho do Rito Eclético Cientifico, um corpo autônomo e independente em Buenos Aires, formados por maçons de Grau 33.

A Maçonaria Eclética continuou sua trajetória na Argentina com a fundação em 1902 do Grande Oriente Argentino do Rito Azul (Gran Oriente Argentino del Rito Azul), sendo que muitas das 190 lojas deste utilizavam o Rito Eclético nos 3 graus simbólicos (Boletins Oficial do Grande Oriente Espanhol -1900-1916).

O RITO ECLÉTICO NO BRASIL

O Sistema da Maçonaria Eclética e sua filosofia foi introduzida no Brasil pelo Conselheiro Gaspar da Silveira Martins (Departamento de Cerro Largo, 5 de agosto de 1835 - Montevidéu, 23 de julho de 1901), no Rio Grande do Sul em 1892, quando este voltou do exilio da Europa. Relata-se que o Conselheiro Gaspar da Silveira Martins, dotado de um Espirito Eclético elevadíssimo, com a colaboração dos generais Gumercindo Saraiva da Rosa (Arroio Grande, 13 de janeiro de 1852 - Carovi - Capão do Cipó, 10 de agosto de 1894), Aparício Saraiva da Rosa (Santa Clara de Olimar, à época pertencente ao departamento de Cerro Largo, atualmente de Treinta y Três, Uruguai  - 16 de agosto de 1856  - Santana do Livramento, Brasil, 10 de setembro de 1904) e João Nunes da Silva Tavares (Barão de Itaqui: Herval, 24 de maio de 1818 - Bagé, 09 de janeiro de 1906), instalou nas trincheiras dos Maragatos, Cerro Largo, Bagé e Piratini, as lojas: Restauracion (loja-mãe da maçonaria de Cerro Largo, fundada em 19 de maio de 1856, subordinada inicialmente ao Gran Oriente do Uruguai); Liberdade e Honra; Proctetora da Pátria; e, Estrella da Liberdade. Estas lojas foram a base da Revolução Federalista (1893-1895).

Com o falecimento do General Gumercindo e com o retorno de Silveira Martins para Montevidéu, o Rito Eclético teve efêmera duração na Republica Federativa do Brasil. As lojas ecléticas brasileiras foram suprimidas pelo Rito Escocês Antigo e Aceito e outras adormecidas. O rito era conhecido por muitos maçons do sul do país como o Rito dos Gasparistas (apelido dado pelos pica-paus ou chimangos gobianos).

A ESTRUTURA DA MAÇONARIA ECLÉTICA OU RITO AZUL NO BRASIL E URUGUAI

A estrutura da Maçonaria Eclética no Brasil e no Uruguai foi organizada em três graus simbólicos (Ditfurth: 1776), e destes, elevam-se oito graus (Carta Federal Ecletica, art 2º: 1783) filosóficos extraídos da genuína maçonaria especulativa, sendo classificados em seis classes distintas: Loja Simbólica ou de São João; Capitulo do Sagrado Arco Real; Câmara Perfeição Eclética; Sublime Grande Capítulo Eclético; Conselho Eclético Filosófico de Cavaleiros Kadosh; Soberano Concílio.

A MAÇONARIA ECLÉTICA SIMBÓLICA OU MAÇONARIA DE SÃO JOÃO

No Regime Eclético a base principal são os graus simbólicos, que compreendem nos três primeiros denominados de: Aprendiz, Companheiro e Mestre. 

1ª Classe - Loja Simbólica ou de São João

Grau 1 - Aprendiz Maçom

Grau 2 - Companheiro Maçom

Grau 3 - Mestre Maçom

MAÇONARIA ECLÉTICA FILOSÓFICA

A estrutura filosófica do Rito Eclético compreende em: Capitulo do Sagrado Arco Real; Câmara Perfeição Eclética; Grande e Sublime Capítulo Eclético; Conselho Eclético Filosófico de Cavaleiros Kadosh; Soberano Concílio; que são designados, genericamente, de Oficinas Litúrgicas. No Rito Eclético tem destaque especial os graus de "Arco Real", "Cavaleiros Rosa-Cruz" e "Cavaleiros Kadosh (Ditfurth: 1776; Liga Eclética: 1811-1812).

 

2ª Classe – Capitulo do Sagrado Arco Real

Grau 4 - Mestre de Marca

Grau 5 - Mestre do Arco Real

3ª Classe – Câmara Perfeição Eclética

Grau 6 - Filósofo do Triangulo Perfeito ou Perfeito e Sublime Maçom

4ª Classe - Grande e Sublime Capítulo Eclético

Grau 7 – Patriarca Noaquita

Grau 8 - Soberano Príncipe Rosa-Cruz

5ª Classe – Conselho Eclético Filosófico de Cavaleiros Kadosh

Grau 9 - Grão-Mestre da Luz ou Patriarca das Cruzadas

Grau 10 - Cavaleiro Kadosh de Heredom ou Grande Filósofo Eclético

6ª Classe – Soberano Concílio

Grau 11 – Soberano Grande Inspetor Geral ou Sábio do Triângulo Perfeito